Matt Crabtree: fotografia e viagem ao passado

Mais sobre a beleza, a delicadeza a força e a sutileza do olhar… quando a vida e a arte se abraçam!!!!

O fotógrafo londrino Matt Crabtree, numa de suas jornadas diárias pelo metrô de Londres, é tocado pela imagem de uma mulher, de singular beleza, num momento de total introspecção.

“… Eu estava sentado entre os outros milhões ou mais de passageiros em um vagão de metrô numa viagem ao trabalho, quando eu olhei para cima e vi essa senhora sentada usando uma capa de veludo, em uma pose clássica atemporal. Ela estava em seu próprio mundo belo, longe do barulho de tudo. A pintura flamenca do século 16 veio à mente, e é isso…”. Matt Crabtree.

A partir desta imagem ele criou a série “16th Century Tude Passengers”, onde se dispõe a fotografar com seu celular, pessoas comuns, em trajetos do metro de Londres, e transportá-las para a atmosfera mágica do século XVI.

O desafio que Matt propôs a si mesmo é que as fotos sejam feitas, retocadas e publicadas durante seu trajeto no metrô, com seu aparelho de celular…

“… Olhei em volta e de repente não conseguia ver nada além de muitas outras pessoas detidas em seus próprios espaços atemporais, introspectivos, calmos, em momentos pessoais…”. Matt Crabtree

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Acesse o site do fotógrafo para ver as outras produções do projeto : Matt Crabtree | 16th century tube passengers


Fontes:

 

Nise da Silveira – o coração da loucura

Para aqueles que quiserem aproximar-se um tanto de um universo ainda bastante estigmatizado – o da história da loucura – super-recomendo o filme: Nise – O Coração da Loucura, direção de Roberto Berliner, (baseado no livro, Nise- Arqueóloga dos Mares, de Bernardo Horta).

É um filme bastante impactante… que traz à tona um pouco do universo nu e cru do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, em meados de 1940. Ele retrata, especialmente, o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, que buscava dignificar e humanizar o tratamento dos internos do hospital – seus clientes, como ela chamava – através do afeto e do trabalho com a Arte.

Entre tantas “belezas” a que podemos assistir, está a coragem, a sensibilidade e a competência com que Nise desbrava este universo – o dos hospitais psiquiátricos – até então, ocupado, em sua maioria, pelos homens.

Outro aspecto primordial do trabalho de Nise, retratado delicadamente no filme, é a tenacidade e a força com que ela entra em contato e se dispõe a dar voz e a escutar seus clientes – os esquizofrênicos – que há tanto tempo estavam esquecidos de si… internos que eram daquele hospital. Essa “escuta apurada” – para mim um dos aspectos mais ricos do trabalho de todo médico e de todo terapeuta – traz de volta… gradativamente… o Ser, o humano… para além de sua patologia. E é essa voz, que vai delineando os contornos sutis da história de cada um daqueles internos. E eles então, podem recomeçar a existir… a simbolizar… expressar sua existência!

Imperdível!

Sim… a primeira cena do filme é bem simbólica do tema… vale ficar atento!!!

Abraço,

Arteterapeuta Alessandra Rosalles

“… Acredito, pela experiência, que na atividade criadora são mobilizados vários aspectos da psique, porque se dá a oportunidade para que se exprimam as forças ordenadoras auto curativas, que se opõem às dissociações, às desordens… causadas pelos conflitos psicológicos. Essas forças instintivas são um movimento que vem do inconsciente. Como todo o sistema biológico se defende, por que o psíquico seria o único a não se defender? A autorregulação biológica se processa e a psíquica não pode fugir a uma regra de todo o sistema biológico…”. Nise da Silveira in Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde, de Luiz Carlos Mello. Editora Automática.

Meu amigo hindu

Bora para o cinema!

( antes de seguir a leitura, aviso que há spoiler sobre o filme )

Fica aqui mais uma dica de um filme que está no circuito de cinemas da cidade de São Paulo: Meu Amigo Hindu, de Hector Babenco.

O já conhecido trabalho de direção tão potente de Hector Babenco – visto em outros filmes, como Pixote e Carandiru – ganha nesta trama um tom especial…

Meu Amigo Hindu, é um texto auto-biográfico que – para além da magia das boas auto-biografias… que também misturam boa ficção à realidade – nos envolve numa viagem, nada confortável, de encontro com nossas fragilidades, impotências, pausas forçadas, medos fundantes: sobre a morte e o morrer… entre tantos outros.

Para além disso tudo, mostra a potência do contador de histórias: aquele que somos ou podemos ser… para os outros, mas… e, essencialmente… o contador de histórias que somos para nós mesmos. Muito especial!

E, bem no finalzinho da trama… quando já não esperamos mais por grandes viradas… ganhamos de presente a beleza sensual, leve, dramática e colorida de Bárbara Paz… numa cena deliciosa em que ela dança… nua… na chuva.

Retomamos o fôlego… e podemos voltar!

Bom filme para todos nós!

Alessandra Rosalles

Arteterapeuta

Filme: O quarto de Jack

Deixo aqui a indicação de mais um filme-presente… sem igual. Especialmente indicado para pais, educadores, terapeutas ou simplesmente… para quem gosta de histórias de amor incríveis… neste caso, a de uma mãe por seu filho; por ela mesma.

O filme O Quarto de Jack, embora classificado como drama- suspense, para mim, é um grande poema a favor da vida.

Muitas são as reflexões possíveis a partir da trama, mas a poesia da infância… salta… grita… sacode… de forma potente… forte… dentro de todos nós!

Mãe e filho… são de uma bravura, coragem e doçura.. sem igual – para além da história dramática que cada um carrega.

Uma lição sobre a força do amor, sobre a importância da boa escuta, sobre a qualidade de laço que – eu confio – o verdadeiro amor sempre tem, independente da relação humana em que ele está inserido!

Imperdível!

Na cidade de São Paulo o filme está passando em diversas salas do Espaço Itaú de Cinema.

Bora lá…

Alessandra Rosalles

Arteterapeuta

Indicação: filme Sabor da Vida

Presentes da vida para nós…

Para todos que ainda tem um tempinho de pausa, neste início de ano, super indico o filme Sabor da Vida, de Naomi Kauase. A história é de uma delicadeza e de uma força, sem igual!

Desde muito… tenho uma ligação especial com a cultura oriental… a arte… a persistência alegre… a tenacidade… a retidão… a delicadeza… a espiritualidade… a educação… o respeito com os idosos… Não sei o que, de todas essas coisas, reverbera mais em mim!

Dentre os escritos que enamorei nestas férias, está um pouco da fenomenologia de Goethe… e o filme traz muito do pensamento desse autor.

Mas para além disso, é um relato da vida… como acredito que ela deva ser: nossa conexão com a arte, especialmente a da natureza – sua estrutura e inteireza – a gratidão e a pausa… diárias… necessárias… para aprender a contemplar tudo o que vive… e pela possibilidade de viver; a força de vontade como recurso imprescindível; tudo o que dói e pode ser transformado em alimento – para o corpo e para a alma…

E, o mais importante de tudo… pra mim… cada um de nós deve criar e aprender a fazer seus próprios alimentos… Não podemos oferecer ao outro, algo que não amamos o suficiente para servir antes de tudo… para nós!!!

Vale a pausa! Para assistir ao filme… para pensar o humano… a vida!

Em São Paulo, um dos locais onde o filme está passando é no Espaço Itaú de Cinemas, na Augusta!!!

Copio abaixo o trailer… para quem… como eu … ficou com água na boca!

 

Bom filme para todos nós!

Alessandra Rosalles

Arteterapeuta