Para aqueles que quiserem aproximar-se um tanto de um universo ainda bastante estigmatizado – o da história da loucura – super-recomendo o filme: Nise – O Coração da Loucura, direção de Roberto Berliner, (baseado no livro, Nise- Arqueóloga dos Mares, de Bernardo Horta).

É um filme bastante impactante… que traz à tona um pouco do universo nu e cru do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, em meados de 1940. Ele retrata, especialmente, o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, que buscava dignificar e humanizar o tratamento dos internos do hospital – seus clientes, como ela chamava – através do afeto e do trabalho com a Arte.

Entre tantas “belezas” a que podemos assistir, está a coragem, a sensibilidade e a competência com que Nise desbrava este universo – o dos hospitais psiquiátricos – até então, ocupado, em sua maioria, pelos homens.

Outro aspecto primordial do trabalho de Nise, retratado delicadamente no filme, é a tenacidade e a força com que ela entra em contato e se dispõe a dar voz e a escutar seus clientes – os esquizofrênicos – que há tanto tempo estavam esquecidos de si… internos que eram daquele hospital. Essa “escuta apurada” – para mim um dos aspectos mais ricos do trabalho de todo médico e de todo terapeuta – traz de volta… gradativamente… o Ser, o humano… para além de sua patologia. E é essa voz, que vai delineando os contornos sutis da história de cada um daqueles internos. E eles então, podem recomeçar a existir… a simbolizar… expressar sua existência!

Imperdível!

Sim… a primeira cena do filme é bem simbólica do tema… vale ficar atento!!!

Abraço,

Arteterapeuta Alessandra Rosalles

“… Acredito, pela experiência, que na atividade criadora são mobilizados vários aspectos da psique, porque se dá a oportunidade para que se exprimam as forças ordenadoras auto curativas, que se opõem às dissociações, às desordens… causadas pelos conflitos psicológicos. Essas forças instintivas são um movimento que vem do inconsciente. Como todo o sistema biológico se defende, por que o psíquico seria o único a não se defender? A autorregulação biológica se processa e a psíquica não pode fugir a uma regra de todo o sistema biológico…”. Nise da Silveira in Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde, de Luiz Carlos Mello. Editora Automática.

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